segunda-feira, 31 de outubro de 2011

FICÇÃO - "ZERO ZERO"


UM CASAL DE AMIGOS SE ENCONTRA JUNTO AO BALCÃO DE UM BAR, A NOITE, ONDE CONVERSAM. ELA JÁ MEIO “ALTA”.

 ELE – Desculpe o atraso! Uma coca com gelo por favor (PRO BARMAN)! Me esperou muito?

ELA – Dois copos... Três se contar com esse.

ELE – Isso é um sim?

ELA – Não.

ELE – Ah, bom... Então?

ELA – Então?

ELE – Pois é, eu estava precisando falar contigo.

ELA – Vai falando... (APONTA PRO COPO ENQUANTO CHAMA O BARMAN) Vê mais um!

ELE – ... Pois é, como sabe, estou passando por uma fase difícil.

ELA (INTERROMPENDO E SEMPRE SORRINDO)– Quem não está, né?

ELE – Também está passando por uma fase difícil? Desculpe, se eu soubesse...

ELA – ...Sim?

ELE – Sim o que?

ELA – Se “eu” soubesse...

ELE – Ah, eu... Eu marcaria com você pra gente conversar.

ELA – E aqui estamos! O que você ia falar mesmo?

ELE – É que... Eu tô carente... Me abraça?

ELA – Te abraçar?

ELE – É...

(OS DOIS SE ABRAÇAM)

ELA – Pronto... Quer mais um?

ELE – Quero!

(OUTRO ABRAÇO – ELE INTERROMPE)

... Pronto, chega. Não é bom exagerar ou acabo chorando.

ELA – Você está bem?

ELE – Não!

ELA – Quer falar sobre o que está sentindo?

ELE – Não estou em condições no momento.

ELA – Amanhã, então?

ELE – Muito tempo... Não sobrevivo até lá...

ELA – Bom, então...

ELE - ... É o seguinte: Gostaria de pedir você em namoro, mas preciso de sua amizade... E como você não ficaria comigo mesmo... Ou ficaria?

ELA – Acho melhor deixarmos essa conversa pra depois... Não estou em condições no momento...

ELE – Por isso mesmo, que tem que ser agora! Se você estivesse sóbria eu não teria coragem de confessar o que sinto!

ELA – ... Não era pra ser ao contrário?

ELE – É... Mas como eu não bebo.

ELA – Ahh... Então vou confessar uma coisa também... Eu não bebo Coca.

ELE – Como?

ELA – Eu ... não ... bebo ... Coca!

ELE – Do que esta falando?

ELA – Da minha promessa, uai!

ELE – Você prometeu não beber mais Coca? Que tipo de promessa é essa?

ELA – Do tipo que se faz quando se tem 12 anos.

ELE – Ah, tá... Bebe Pepsi, então...

ELA – Não dá, não gosto de refrigerantes de cola.

ELE – E faz promessa de não beber mais Coca?! Que conveniente, né? Se fosse ao contrário, entenderia.

ELA – Vamos dançar?

ELE – Dançar?!

ELA – É!

ELE - Se tocasse música... Mas isso aí...

ELA – Ahh... Vai... Não seja chato! Eu também não gosto, mas vai ser bom.

ELE – Percebe a incoerência do que disse?

ELA – Não... Estou bêbada...

ELE – Não seja redundante.

ELA – Tá... Vou dançar...

ELE – Ã... Eu espero... Ai meu Deus, que noite!... Ué, já de volta!

ELA -  A pista ta mexendo muito. Fiquei tonta.

ELE – Senta aqui... Vou pedir uma água...

ELA – Não!

ELE – Não quer água?

ELA – Não quero sentar.

ELE – Olha, já percebi que não está bem. Por que não me conta o que aconteceu? Por que está assim?

ELA – Quando eu confiar em você 100%, eu conto.

ELE – Como é que é?!

ELA - Quando eu confiar em você 100%, eu conto.

ELE – E posso saber quantos por cento confia em mim agora?

ELA – Ahh... Agora uns 50%... Talvez 60...

ELE – E o que fiz pra você ter toda essa confiança em mim?

ELA – Sei lá... (INDIGNADA)Você Pediu Coca-cola?

ELE – Sim, ué... Mas pedi pra mim, não pra você... Mas por que estou discutindo isso?

ELA – Por que... Está bêbado?

ELE – Não, você está bêbada, eu sou confuso naturalmente.

ELA – Eu posso estar um pouquinho alta, mas não esqueci que prometeu escrever uma peça pra mim... Pra eu ser a protagonista!

ELE – ... Levou aquilo a sério?

ELA – Como? Não era sério? Não vou ser protagonista? Você me acha canastrona?

ELE – Não eu acho você ótima!

ELA – Quer me levar pra cama, né? Pra fazer o teste do sofá!

ELE – Olha...

ELA – Sabia... Você sabia que coleciono sapos?!

ELE – Ah, tá... Entendi. Seu personagem coleciona sapos, né?

ELA – Não! Eu coleciono! (improviso livre)Tenho sapo de pelúcia, de pano, de acrílico, de porcelana, ... As pessoas trazem, sabe como é, né? Sapos verdes... Eu amo verde! Qual sua cor preferida?

ELE – Olha só... Vou ser bem direto! Fica comigo esta noite?

ELA – Tá, eu fico, mas só porque você é gay.

ELE – O que?! Mas não sou gay!

ELA – NÃO?!

ELE - NÃO!

ELA – Ahh... Então,não... Sai.

ELE – Tá... Então sou gay!

ELA – Sério? Vai chutar o balde, assim, só pra me levar pra cama? Se queria assumir era só dizer.

ELE – Desisto... Vem, vamos embora.

ELA – Já?

ELE – Está tarde... Vem, vou te levar pra casa.

ELA – Hummm... Pra casa? E o que você vai fazer? Hein?

ELE – Chorar, ué! O que mais me resta?

ELA – Mas chorar por que?

ELE – Por que? Sei lá... Hábito, eu acho...

ELA – Ah... Fica assim não. Vamos fazer o seguinte, fica lá em casa hoje. Quer?

ELE – CLARO! Vamos lá!

ELA – É aqui... Entra, fica a vontade (ELA DEITA NA CAMA)... Tira a roupa se quiser.

ELE – Mas já? Nem um cafezinho?

ELA – Não tem café.

ELE – Então vou apagar a luz...Posso?

ELA – Deve!

ELE (DEITANDO)- Não vai me dar um beijo?

ELA – Claro (BEIJO NO ROSTO)! Boa noite!

FIM

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