sexta-feira, 30 de setembro de 2011

OPINIÃO - "DARWIN E A REGRESSÃO DA ESPÉCIE"

Ok, calma! Até houve a tal evolução das espécies e tal... Contudo uma, especificamente, parece ser uma contradição e evolui na mesma proporção em que regride... O Homem!

O ser humano é a única das espécies que conseguiu o milagre de ser inteligente e estúpido ao mesmo tempo!

Darwin não tem culpa disso, claro, só não observou atentamente sua própria espécie, exatamente por ser inteligente e estúpido ao mesmo tempo.

Mas se a culpa não é dele, de quem seria? Bom, melhor não mexer nisso...

Vamos voltar a nova “teoria da contradição”. Podíamos refletir aqui sobre o aquecimento global (que mesmo depois de nós tomarmos conhecimento disso, continuamos agindo como estúpidos e piorando cada dia mais a nossa situação nesta poeirinha cósmica que chamamos de Terra), mas acho que usar uma situação mais simples e que não exija demais de nossa metade estúpida, facilita.

Todo supermercado, como sabemos, tem aquela fileira de caixas (onde a maioria nunca está “funcionando”). Até onde sei, o espaço entre uma caixa e outra é calculado exatamente para a passagem do carrinho de compras, então fica fácil concluir que é pra passarmos com ele por ali, certo?

Lembro até que tinha um aviso de “passe com seu carrinho” em cada uma das caixas, o que comprova a tese.

Claro que ninguém passa com seus carrinhos de compras por ali. Simplesmente largam para trás.

Conclusão:
Um monte de carrinhos atravancando quem quer passar, atrasando as filas ainda mais e uma série de outros transtornos.

O supermercado percebendo que as pessoas não estão atendendo ao aviso de “passe com seu carrinho”, o que fazem?

Tiram o aviso, lógico! Não poderia ser diferente.

As moças que atendem nas caixas também não falam nada sobre isso com os clientes (tudo bem, talvez elas não tenham evoluído o suficiente para falar) e fica aquela coleção de carrinhos infernizando os que conseguiram evoluir pra frente.

Por isso acho que há uma falha na teoria de Darwin... Mas pode ser só falta de educação mesmo.

E assim caminha a humanidade... Para trás!

MEMÓRIA - "VOLTO QUANDO CONSEGUIR TRABALHO"


Era 1990 e eu já havia terminado a escola a alguns meses, no ano anterior. Ainda não tinha decidido por alguma faculdade e fazia diversos cursos. Vários, sem parar... E isso porque foi fazendo esses cursos que tive a oportunidade de conhecer minhas primeiras namoradas. As três primeiras, para ser mais exato, e a quarta, que era amiga de minha segunda namorada, mas não era do curso.

No entanto não é delas que falarei aqui hoje, então vamos adiante!

Certo dia, depois de uma briga com minha mãe e ofendido em minha competência, resolvi que sairia de casa para provar do que era capaz. Arrumei minhas coisas no silêncio da noite e me retirei enquanto ela dormia, deixando um bilhete que dizia simples e categoricamente: “Volto quando conseguir trabalho!”. E fui...

Por sorte não prometi dinheiro, mas isso é outra história.

Escolhi um ótimo dia para fugir atrás de trabalho... Noite de sexta, um temporal afogando o Rio de Janeiro e uma greve de ônibus. Perfeito!

Saí do Bairro do Jardim Botânico, onde morava na época e fui andando até Botafogo, de onde ligaria para alguém, atrás de guarida. Sabia que não podia ir para dois lugares, os primeiros que minha mãe procuraria, certamente, que eram a casa da minha namorada e a de um amigo meu na época, o “KVRA”. Lembrei de outro amigo, que namorava uma menina da Tijuca e passava os fins de semana por lá. Não tive dúvidas, peguei o metrô e segui rumo a zona norte.

Além de malandro que foge numa sexta feira de dilúvio e greve, atrás de trabalho, também sou sortudo! Vejam só que sorte a minha: Meu amigo e sua namorada resolvem brigar e tivemos que sair da casa dela. Voltamos a pé da zona norte a zona sul da cidade, com uma pequena, mas bem vinda carona para atravessar o túnel que diminuiria nossa jornada. (Estou tentando resumir a história, mas parece que não estou conseguindo) Bom, acabei tendo de ir pra casa de minha namorada, mas ela me acordou no dia seguinte pra sair de lá rápido, que seus pais logo chegariam de viagem. Corri pra casa do “KVRA”, mas no dia seguinte o pai dele pediu pra deixarmos o apartamento, porque ele havia vendido e tinha que entrega-lo, enfim...

Já sem ter onde ficar, sem roupas limpas pra trocar e ainda sem trabalho, depois de rodar a cidade a pé, resolvi, finalmente, ir ao estúdio do cartunista Ziraldo (na época em Laranjeiras). Cheguei lá todo sujo e suado, com meu mochilão nas costas e a secretária do estúdio me olhando de cima a baixo numa cena constrangedora (pra mim, é claro). Antes que ela chamasse a polícia, eu pedi para que chamasse o Ziraldo. “-Quem quer falar com ele?” perguntou ela com certa antipatia. “-Diz que é o Victor Klier!” Falei como se meu nome fosse o de alguém importante. Então ela disse rindo: “Ahh, o menino que fugiu de casa!”.

Humilhante!

Ziraldo me recebeu com umas folhas de papel na mão e me dizendo assim: “Fugir de casa é um barato, mas tem que tomar cuidado, senão mata sua mãe!” Aí me deu as folhas de papel, apontou uma mesa, pediu pra escrever uma história em quadrinhos e saiu.

Consegui trabalho!!!

...Ainda bem que não prometi dinheiro.

FICÇÃO - "VIZINHAS"


(VIZINHAS SE ENCONTRAM NA FILA DO SUPERMERCADO)
A – Oi vizinha! Carrinho cheio, hein? Compra do mês?
B – Que nada, da semana!
A – Semana comprida a sua, né? O dobro de compras da minha, para metade do número de pessoas na família.
B – Pois é, menina... Mas o povo lá de casa gasta muita energia!
A – Ahh, isso é mesmo... A conta de luz de vocês é um absurdo de alta!
B – Ué...Como sabe?
A – Entregaram a conta de vocês lá em casa por engano... Aqui, ó!
B – Engano, né? Mas ok, obrigado por guardar...
A – Também chegou essa carta do seu namorado... Infelizmente só vi que não era para mim depois que abri... Mas coloquei tudo de volta no envelope, exatamente como estava... Inclusive aquela foto de vocês no motel... Bem dotado ele, né?
B – É...  Bastante satisfatório, mas não é tão bem dotado quanto sua língua, querida.
A – Gentileza sua, mas cá entre nós, sexo oral é mesmo meu forte.
B – Tenho certeza que sim, mas parece que isso não está ajudando a encher seu carrinho.
A – Ahh, mas no meu caso sexo é só por prazer... Não cobro, não... Senão estaria com dois carrinhos de compras como este seu.
B – Pois é querida... Não é para quem quer, é para quem pode.
A – É verdade... Um dia se está por cima, outro dia se está por baixo...
B – Ainda está falando de sexo?
A – Na verdade não... Mas já que falou vejo pelas compras que está preparando uma comemoração...
B – É... Aniversário de namoro... E pelas suas compras a faxina vai ser boa. Empregada nova?
A – Não... A minha sujeira eu mesma limpo.
B – E a comida? Sempre esses congelados aí?
A – Os congelados são só para emergência.
B – E toda semana tem ao menos uma, né? Sempre sinto cheiro de comida queimada vindo pela janela.
A – Sério? Não percebi nada... Mas deve vir do andar debaixo.
B – Do andar debaixo? Não, não... Embaixo tem só um apartamento vazio e minha mãe no outro... E minha mãe sempre come fora.
A – Bom, então é um mistério, não é mesmo? E falando em mistério... Que barulho é aquele que vem do seu apartamento todos os dias, desde o início da semana? É obra?
B – É o ensaio da minha banda!
A – Poxa... Pena que não poderão mais ensaiar lá no prédio, né?
B – E por que não?
A – A síndica proibiu.
B – Sendo que você e a síndica são as mesmas pessoas... Certo?
A – Pois é, mas isso é uma mera coincidência. Nada pessoal.
B – Engraçado você dizer isso, porque moramos num prédio de dois andares e quatro apartamentos... Um está vazio, no outro mora minha mãe e em cima moramos eu num, com minha prima, e você ao lado... Na hora que eu ensaio não recebo reclamação nenhuma do apartamento vazio ou da minha mãe que, aliás, não ouve bem...
... Também nem poderia receber reclamação da sua casa porque só ensaio quando você sai para a faculdade, seu pai para o trabalho e seus irmãos para a escola, então o meu ensaio incomoda a quem? Aliás, como você sabe do ensaio se nem tem ninguém na sua casa nesta hora?
A – Você esqueceu a Raimunda?
B – Raimunda?
A – Minha faxineira... Ela diz que não consegue fazer o trabalho dela por causa do barulho!
B – Achei que você mesma limpasse sua sujeira.
A – Pois é... Ela é faxineira, mas contratei para ajudar como cozinheira... Mas então, como fica?
B – Bom, isso explica a comida queimada... Mas... Só para confirmar... A Raimunda trabalha todos os dias, por uma miséria e nem tem carteira assinada, certo?
A – É... Foi uma espécie de acordo entre “senhoras de fino trato”.
B – Sendo assim, a situação fica como está... Eu com meu ensaio e você sem um processo... Também sei ser de “fino trato”, viu?
A – Claro querida... Sei que sua família tem tradição e que estão sempre nos jornais... Por falar nisso, seu pai e seu avô continuam presos ou já saíram em condicional?
B – Então... Eles devem ser liberados logo, pois já identificaram os verdadeiros responsáveis pelas fraudes na empresa.
A – Falando nisso, meu pai e meu tio acabaram de receber uma promoção lá... Sabia?
B – Claro... Todos sabem... Incluindo nosso advogado e a polícia federal.
A – O que quer dizer com isso?
B – Que todos sabem da promoção dos seus parentes, ué...
A – É... Eles trabalharam muito para isso. Deram o sangue para conquistarem essa promoção.
B – O sangue dos outros, aliás.
A – Isso é detalhe... O importante é que conquistaram tudo de forma honesta!
B – Engraçado esse novo conceito de honesto... Parece anúncio como os desse sabão em pó no seu carrinho, que diz “lavar mais branco”.
A – Não entendi a relação... Mas já que citou sabão em pó, devo te avisar que este produto para emagrecer que está levando aí não vai adiantar não, viu? Se ir para academia não te ajudou, não vai ser isso aí que vai resolver, né? Mas genética é assim mesmo, umas são mais, assim, cheinhas como você e outras em forma como eu... Não é culpa sua ser assim.
B – Ao menos não apelei para uma clínica de “lipo”.
A – É, mas se continuar levando esse monte de chocolates, biscoitos amanteigados e massa para pizza, logo vai querer uma também.
B – Como sou sua amiga vou te dar uma dica também... Ninguém fica chique porque come caviar... Educação vem de berço.
A – E você teve um?
B – Você sabe que “berço”, neste caso é uma figura de linguagem, né? É que às vezes esqueço que não terminou a escola e acabo usando termos além da sua capacidade... Mas não é por mal, é por hábito.
A – Entendo... E já que tocou neste assunto da escola. A sua não foi fechada por vender diplomas?
B – Sério? Não deve ter sido na minha época... Mas mudando de assunto... Eu estava olhando sua roupa...
A – Gostou? Nova tendência...
B – Brega-Retrô?
A -          Não... Moda-Novela.
B – Da novela das 8hs?
A – Não... Das 6hs... Por que?
B – Moda novela, para mim, só do horário nobre... 6hs é matinê, né?
A – É que não são tão velha como você... Ainda tenho corpinho de matinê.
B – Queria ver conseguir isso sem cirurgia plástica.
A – Impossível... E como sou sua amiga vou até te deixar um cartão de uma clínica. Pode deixa que não conto para ninguém. Tá? Sabe que sou discreta.
B – Claro, claro... Se estiver a mais de dois quilômetros nem dá para notar que está por perto.
A – Olha... Liberou o caixa...
B – Quer passar a frente? Seu carrinho não tem quase nada mesmo...
A – Obrigada... Vou aceitar... Vai que seu cartão é recusado e tenho de ficar esperando.
B – Se o seu for recusado faço questão de esperar.
A – Gentileza sua... Bom te encontrar, viu querida?
B – Também adorei... Até a próxima!

FIM