quinta-feira, 30 de junho de 2011

MEMÓRIA - "ARTE SEQÜENCIAL"


Eu tinha 24 anos e já havia terminado a escola a cinco anos, em 1989, e desde então só fazia cursos... Curso de histórias em quadrinhos, de desenho, de aquarela, roteiro e por aí vai (nada prático ou que fosse considerado como trabalho). Mas foi em meados de 1994, voltando de um curso de artes gráficas que tudo mudou! Peguei um ônibus errado e tive de descer no meio do caminho para pegar outro. Saltei bem em frente a uma faculdade que anunciava em letras garrafais: ”Vestibular de meio de ano – Inscrições abertas”.

Curioso entrei e fui pedir informações na secretaria onde uma moça muito competente e prestativa me deu uns papéis e sumiu por uma porta (de onde não voltou). Eram papéis de inscrição (e não de informações, como eu esperava), então para passar o tempo resolvi preenchê-lo e ao fim, por fim, aparece alguém, outra moça, pra quem entrego minha ficha devidamente preenchida, mas ainda sem minhas informações. Ameacei não entregar a ficha se ao menos não me dissesse quando seriam as provas. “- Depois de amanhã”, disse ela já me entregando uma outra folha com regulamentos da prova. Quando fui tirar uma dúvida, ela já havia sumido por aquela porta misteriosa.

Com dois dias pra me preparar para a prova do vestibular, fiz o óbvio, separei todos os antigos livros da escola que tinha em casa e coloquei-os todos sobre a mesa. Depois liguei a tv, peguei um filme na pilha de VHS’s e fiz uma maratona digna de um cinéfilo durante as 48hs que se seguiram (com pausa para ir ao banheiro, dormir e comer, logicamente). Os livros, ali, me fizeram companhia sempre com aquele silêncio austero que lhes é peculiar, até o último momento.

Não contei a ninguém que faria a tal prova, afinal nem ia passar mesmo. Já não estudava nada semelhante ao que pediam para o concurso, desde que saí da escola 5 anos antes, e só tinha dois dias pra rever uns dez anos de matéria... Sem chances! Iria fazer por pura curiosidade (ou puro masoquismo, sei lá).

No dia da prova eu estava tranqüilo, não tinha nada a perder, só aquela manhã mesmo, mas como era uma questão de honra, acordei a contra gosto e fui pro matadouro.

Não foi ruim como eu esperava. Foi como marcar o bilhete da loteria. Ao meu lado um menino marcava as lacunas formando um desenho. Era uma questão de sorte pela estética. Eu tentei algo diferente e tentei a sorte pela razão, se é que isso é compatível, e li cada questão pra ver o que eu sabia. De fato não lembrava de nada, mas ao menos tentei.

Dias depois fui pegar meu resultado (não sei pra que, não passaria mesmo). E pra minha surpresa... PASSEI!!! Nossa, que coisa... Será que dizer que o fato de ter feito o concurso numa faculdade particular, faz diferença? Não importa, pra mim não fez!

Me formei em jornalismo!

... E agora trabalho com histórias em quadrinhos.

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