segunda-feira, 30 de maio de 2011

MEMÓRIA - "O TEMPO, O VENTO E AS MANGAS"


Eu ainda morava no meu sítio em Guaratiba, região onde, antes do famoso Projac, a Rede Globo usava para gravar algumas de suas produções.

Era período das férias escolares. Devia ser fim de 1984 ou início de 85, quando gravaram por lá a mini-série “O Tempo e o Vento”, baseada na obra homônima de Érico Veríssimo.

Não era a primeira vez que eu e meus amigos acompanhávamos a produção de algum programa, mas a diferença é que desta vez tivemos uma idéia brilhante... Vender mangas para os atores!

Saímos de casa numa manhã e começamos a juntar as mangas das árvores do meu sítio e depois subimos o morro no terreno de trás, onde havia outros tipos de manga. No fim tínhamos mais mangas do que podíamos carregar, chupamos algumas e deixamos um outro tanto para mais tarde. Selecionamos as mais bonitas e maduras, enchemos um caixote de madeira e seguimos para o local das gravações.

Acho que foi uma caminhada de uns três quilômetros a pé carregando o caixote cheio de mangas até a locação. Acho que não preciso dizer que no caminho paramos para “reabastecer” pegando algumas das mangas selecionadas para venda.

Já no meio da cidade cenográfica (vazia), sentamos e ficamos esperando que o capitão Rodrigo (Tarcísio Meira) viesse comprar uma deliciosa carlotinha, ou mesmo uma espada, se assim fosse de sua preferência.

Esperamos, esperamos, esperamos...

Mas por que diabos não aparecia ninguém naquela cidade fantasma?!

Olhei para meu amigo que já se lambuzava devorando outra manga e perguntei: “- Que dia é hoje?”

Era domigo!

Largamos a caixa com as mangas para trás e fomos para casa

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