segunda-feira, 30 de maio de 2011

FICÇÃO - "CORNO E ENTERRADO"


Atila acordou morto... Tudo escuro a sua volta, mas o cheiro de terra não deixava dúvidas, estava sepultado!

Morto com requintes de crueldade, e Atila previa que um dia acabaria assim, pois sabia todos os motivos para estar naquela situação, mas desconhecia quem era seu assassino e sua curiosidade quase o fez ressuscitar. A verdadeira tortura era a dúvida por não saber quem tinha sido responsável por colocá-lo naquela situação.

Seu corpo apodrecia rápido e não sabia se com o cérebro prestes a se deteriorar ainda conseguiria pensar com clareza.

Todos queriam vê-lo morto. Lembrou de todas as pessoas que trapaceou, todas as mulheres que magoou e mais uma lista interminável de gente com motivo para matá-lo.

Como era muito vaidoso e egocêntrico chegou a conclusão que aquilo era impossível, pois era esperto demais para ser descoberto e morto. Mas o fato é que estava morto e não lembrava como havia acontecido.

Então, algo passou por sua cabeça: - Ah, é só um verme! Ainda bem que não é uma barata... Detesto baratas! E com isso voltou a suas especulações sobre seu destino final.

- Algo não está cheirando bem! Constatou Atila em suas divagações.



Quando achou que não teria mais surpresas, veio o choque!

- Minha mulher! - gritou ele em pensamentos, ao lembrar que sua esposa o assassinara para ficar com o vizinho, que era seu amante! - Essa não! Morri corno!

Recobrando suas lembranças se desesperou, sua reputação estava em risco, afinal tinha sido malandro em vida... Profissional! Jamais poderia ter sido enganado tão facilmente.

- É, cheguei ao fundo do poço!

No desespero procurou uma saída, uma luz no fim do túnel, mas em vão! Pensou em subornar alguém!

... Lembrou que do mundo nada se leva, nem dinheiro e nem pessoas para se subornar. - E agora? Atila sabia que não havia mais volta, então relaxou e fez sua última reflexão:

- Podiam ao menos terem me deixado trazer uma palavra cruzada!


FIM

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