segunda-feira, 30 de maio de 2011

OPINIÃO - "O CARINHOSO TROTE UNIVERSITÁRIO"


Passar pra faculdade é um evento marcante na vida de qualquer pessoa... E marca mesmo! Entre os mimos mais marcantes, que os novos alunos recebem, temos: Ferimentos, afogamentos, humilhações e até queimaduras provocadas pelo calor humano! Comovente!

A festa do trote promove a integração e a cordialidade entre alunos veteranos e os calouros. Estão pensando que o início da vida acadêmica se resume ao esforço para ser um profissional competente e respeitado? Ledo engano! O princípio da vida acadêmica é recheado de risos (bom, talvez nem tanto, mas deve ser timidez dos calouros) e caras pintadas (a dos calouros, só, pois os veteranos são pessoas sérias e não tem comportamentos imaturos).

Nessa celebração também encontramos palavras de ordem e manifestações de carinho (dos veteranos), que chegam a levar alguns calouros as lágrimas e alguns até ao hospital (deve ser por causa da emoção).

Acho tão nobre esse ritual, uma prova de maturidade e caráter tão excepcional, que fico surpreso comigo mesmo de ter tentado fugir de passar por essa manifestação calorosa e solidária.

A celebração ritualizada pelo trote, nos dá uma idéia da qualidade dos médicos, engenheiros, advogados e outros profissionais extremamente qualificados e de caráter inquestionável, que estarão a serviço da população.

Eu estava pensando aqui... Acho que essa coisa do trote, que os veteranos (e futuros “profissionais”) aplicam nos calouros, tão importante na vida de uma pessoa, no futuro profissional dela, que acho que deveria constar em seus currículos (com fotos anexadas).

Mas, se dependesse disso, será que eu teria chances no mercado de trabalho? Afinal nunca apliquei trot... Ops, me entreguei!

Ok, ok... Admito que até me orgulho disso (que coisa feia, né?)!

Não me resta outra coisa senão pedir perdão por essa falha de caráter.

MEMÓRIA - "O TEMPO, O VENTO E AS MANGAS"


Eu ainda morava no meu sítio em Guaratiba, região onde, antes do famoso Projac, a Rede Globo usava para gravar algumas de suas produções.

Era período das férias escolares. Devia ser fim de 1984 ou início de 85, quando gravaram por lá a mini-série “O Tempo e o Vento”, baseada na obra homônima de Érico Veríssimo.

Não era a primeira vez que eu e meus amigos acompanhávamos a produção de algum programa, mas a diferença é que desta vez tivemos uma idéia brilhante... Vender mangas para os atores!

Saímos de casa numa manhã e começamos a juntar as mangas das árvores do meu sítio e depois subimos o morro no terreno de trás, onde havia outros tipos de manga. No fim tínhamos mais mangas do que podíamos carregar, chupamos algumas e deixamos um outro tanto para mais tarde. Selecionamos as mais bonitas e maduras, enchemos um caixote de madeira e seguimos para o local das gravações.

Acho que foi uma caminhada de uns três quilômetros a pé carregando o caixote cheio de mangas até a locação. Acho que não preciso dizer que no caminho paramos para “reabastecer” pegando algumas das mangas selecionadas para venda.

Já no meio da cidade cenográfica (vazia), sentamos e ficamos esperando que o capitão Rodrigo (Tarcísio Meira) viesse comprar uma deliciosa carlotinha, ou mesmo uma espada, se assim fosse de sua preferência.

Esperamos, esperamos, esperamos...

Mas por que diabos não aparecia ninguém naquela cidade fantasma?!

Olhei para meu amigo que já se lambuzava devorando outra manga e perguntei: “- Que dia é hoje?”

Era domigo!

Largamos a caixa com as mangas para trás e fomos para casa

FICÇÃO - "CORNO E ENTERRADO"


Atila acordou morto... Tudo escuro a sua volta, mas o cheiro de terra não deixava dúvidas, estava sepultado!

Morto com requintes de crueldade, e Atila previa que um dia acabaria assim, pois sabia todos os motivos para estar naquela situação, mas desconhecia quem era seu assassino e sua curiosidade quase o fez ressuscitar. A verdadeira tortura era a dúvida por não saber quem tinha sido responsável por colocá-lo naquela situação.

Seu corpo apodrecia rápido e não sabia se com o cérebro prestes a se deteriorar ainda conseguiria pensar com clareza.

Todos queriam vê-lo morto. Lembrou de todas as pessoas que trapaceou, todas as mulheres que magoou e mais uma lista interminável de gente com motivo para matá-lo.

Como era muito vaidoso e egocêntrico chegou a conclusão que aquilo era impossível, pois era esperto demais para ser descoberto e morto. Mas o fato é que estava morto e não lembrava como havia acontecido.

Então, algo passou por sua cabeça: - Ah, é só um verme! Ainda bem que não é uma barata... Detesto baratas! E com isso voltou a suas especulações sobre seu destino final.

- Algo não está cheirando bem! Constatou Atila em suas divagações.



Quando achou que não teria mais surpresas, veio o choque!

- Minha mulher! - gritou ele em pensamentos, ao lembrar que sua esposa o assassinara para ficar com o vizinho, que era seu amante! - Essa não! Morri corno!

Recobrando suas lembranças se desesperou, sua reputação estava em risco, afinal tinha sido malandro em vida... Profissional! Jamais poderia ter sido enganado tão facilmente.

- É, cheguei ao fundo do poço!

No desespero procurou uma saída, uma luz no fim do túnel, mas em vão! Pensou em subornar alguém!

... Lembrou que do mundo nada se leva, nem dinheiro e nem pessoas para se subornar. - E agora? Atila sabia que não havia mais volta, então relaxou e fez sua última reflexão:

- Podiam ao menos terem me deixado trazer uma palavra cruzada!


FIM