sexta-feira, 29 de abril de 2011

MEMÓRIA - “O BOY INVESTIGATIVO”


Em 1995 eu estava no terceiro período da faculdade de comunicação e começando a me envolver mais com fotografia. Já tinha até uma foto publicada em jornal (pequeno detalhe, com meu nome escrito errado!), mas isso é outra história.

Duas amigas minhas, acho que uma delas ainda era menor na época, foram visitar um estúdio de um fotógrafo profissional, na esperança de conseguirem trabalhos como modelos (só pra adiantar a história, elas desistiram de ser modelo).  

Só me lembro claramente, que depois dessa visita ao estúdio de fotos, elas me ligaram apavoradas, porque o fotógrafo tentou fazer fotos “indevidas” e quando uma delas se assustou ele chegou a trancá-la, num dos cômodos que usava para fazer os ensaios, até que ela acalmasse.

Falei para elas darem queixa, que deveriam fazer algo para impedir que fizesse com outras, mas não adiantou... O medo era tanto que elas preferiram o silêncio (mulher quando faz silêncio é porque foi grave mesmo).

Já que não dava pra ir a polícia sem que elas tivessem dispostas a denunciar, resolvi procurar um jornalista, que ficou famoso na Rede Globo depois de uma “reportagem denuncia”. O tal jornalista me disse que pra fazer essa pauta precisaria de um indício ou prova (se o relato de minhas amigas não era um indício, então o erro deve ser do dicionário).

Bom, mas como eu estava louco pra virar repórter investigativo, o que fiz?

Candidatei-me a um estágio no estúdio do tal fotografo e consegui de imediato.


Lá achei que podia aproveitar a “investigação” pra aprender algo sobre fotografias e talvez até usar uns equipamentos dele, mas eu só servia mesmo como “Office boy”. Fazia ligações, ia à rua fazer entregas, comprar coisas, enfim... Boy!

Fiquei trabalhando de graça lá por duas semanas e desisti. Infelizmente por causa de minha pouca experiência na época e falta de habilidade naquele tipo de situação, não consegui nada que pudesse servir de prova ou de indício.

A verdade é que eu sabia que ele era culpado e que fiquei com medo de falhar. Era um risco pra mim se ele descobrisse o que eu estava realmente fazendo lá... E com minha super habilidade tanto pra “Office boy” quanto pra repórter investigativo, se eu não saísse, seria demitido em breve (ou coisa pior. Vai saber...).
Em março de 1999 um inquérito policial contra o fotografo tarado foi aberto após o registro de ocorrência acusando de ter praticado "atos libidinosos diversos de conjunção carnal" com menores. Ele fugiu, mas foi capturado e preso em 2001 em Belém, no Pará.
Se aquele repórter tivesse prestado atenção nos indícios que ofereci, além de salvar várias menininhas e virar herói, teria ganhado uma promoção!


Bobo... Bem feito pra ele! 

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