domingo, 13 de fevereiro de 2011

MEMÓRIA - “COMO MATAR UM POODLE”


Em 1995 entrei para um curso de animação... Não!!! NÃO é de animador de festa! É curso de desenhos animados e animação de objetos, para fazer parecer que coisas paradas se mexem!

Pra dar uma idéia do trabalho que dá, vou resumir: Faríamos um filme coletivo onde cada um ficaria responsável por uma vinheta de uns 20 ou 30 segundos. O meu filmete animado ficou em 23 segundos e 165 desenhos feitos a mão, um a um e coloridos com lápis de cor! Assustador, né?

Mas ok, vamos pular essa parte didática.

Assim que terminamos reunimos a turma toda pra produzir outro filme, independentemente do curso. Várias idéias de temas e títulos surgiram. Idéias bizarras não faltaram. Na hora de votar foi unânime: “Como Matar Um Poodle”!

Conseguimos fazer e terminar o projeto a tempo de exibi-lo no aclamado Festival Animamundi.

Infelizmente as coisas não saíram bem como esperávamos... Primeiro que ficamos fora do catálogo oficial porque a organização não acreditou que terminaríamos a tempo. Segundo porque as sessões de nossa obra coletiva foram muito prejudicadas por causa das fortes chuvas, com o detalhe que a projeção do nosso trabalho era numa tenda (praticamente improvisada) ao ar livre e com um equipamento de som defeituoso... Resultado: Nenhuma pessoa viu nosso filme nesses dias, nem um cachorro vira-latas sequer (que dirá poodle).

Sobrou então mais uma esperança, que era conseguir encaixá-lo na última sessão do evento, dentro do cinema onde ocorriam as sessões oficiais. Como nos avisaram que isso seria possível, convidamos família e amigos para assistirem a nossa “obra prima”!

Chega o grande momento! Cinema lotado e finalmente entra o apresentador da sessão para anunciar os filmes que passariam. Tirou um papel do bolso, leu os títulos, mas... Não citou o nosso.

O apresentador já ia saindo quando uma amiga minha perguntou em alto e bom tom: “-E o filme ‘Como Matar o Poodle’?”.

O apresentador parou, pigarreou e deu a notícia bombástica: “- Esse filme não será exibido nesta sessão.”!

Isso bastou para que todos na platéia se manifestassem, “latindo” e “uivando”. Não tinha uma pessoa sequer, que estivesse ali pra assistir a outra coisa. Deviam ser mais de 200 pessoas fazendo um barulho danado.

Do lado de fora meu amigo Bravo protestava contra nossa exclusão e numa cena digna de hollywood, rasgou sua camisa do evento debaixo de uma chuva torrencial e vestiu a do “...Poodle”. Foi histórico!

Os organizadores não tiveram outra opção senão passarem nosso filme.

“Como Matar Um Poodle” foi a única obra de animação 100% nacional e independente daquele ano.


Nenhum comentário: