domingo, 30 de janeiro de 2011

FICÇÃO - "QUEIMANDO O SUTIÃ"

- Chega! Não abre essa boca! Não quero ouvir sua voz! É sempre assim! Acha que sou sua empregada? Claro que acha, né? Afinal eu lavo sua roupa, faço sua comida e você... E você aí, na gandaia pela noite adentro, e muito provavelmente com alguma sirigaita a tiracolo. ... Sai a hora que quer, volta a hora que bem entende, e a empregadinha aqui, nem pra receber salário mínimo. Vem cá, deixa eu ver... Aposto que tá com cheiro de perfume barato... Ei! Esse cheiro é o do meu perfume... E, e essa mancha vermelha aí, perto do colarinho? Não vai vir com aquela história de catchup de novo, né? Tá, eu sei que da outra vez foi mesmo... Mas EU tinha feito o sanduíche! E hoje, qual a desculpa? Vai me dizer que teve reunião com os amigos do escritório, que só falaram de negócios... Ah, mas nessa não caio mais! Invente outra! Aliás, cansei de ouvir você ficar aí falando, com suas histórias pra boi dormir, enquanto a vaca aqui fica trabalhando feito um cavalo, pra depois ser tratada feito um cachorro. A partir de agora quem fala sou eu e você vai ter que me ouvir! Óóó... Fecha a boca... Quietinho aí! Você sabe que costumo a falar pouco, mas hoje vou quebrar este hábito... E que negócio é esse que está escondendo aí atrás de você? São flores?! Não acredito... Quem é a vadi... Eu?! São pra mim?? Olha... Não me enrola... Deixa eu ver o cartãozinho! Ué... São pra mim mesmo... Que lindas amor! Só você mesmo, viu? Vai... Vai tomar um banho e colocar aquela blusa que gosta... Acabei de levar pro quarto. Tá limpinha, passadinha e cheirosinha! Ah... E sabe o que fiz pro seu jantar?


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