domingo, 30 de janeiro de 2011

MEMÓRIA - “A PORTA LATERAL E AS ESCULTURAS DE RODIN”


Desde o filme “E.T. O Extraterrestre”, não via filas dobrando quarteirão e também nunca tinha visto exposições de arte entrarem na moda, portanto eu nunca havia pegado filas para entrar em museus de arte, mas na exposição do mestre Rodin, isso quase mudou.

Sim, eu disse quase e explico:
Essa exposição aconteceu em meados dos anos 90 e eu já estava na faculdade de jornalismo. As vezes matava aula para fazer algo mais relevante e educativo do que assistir passivamente as aulas, em sua maioria totalmente inúteis e desestimulantes... Mas isso é outra história, voltemos ao que interessa!

Cheguei cedo ao Museu de Belas Artes e levei um susto, pois nem tinha aberto suas portas e uma fila monstruosa contornava o edifício centenário. Fiquei parado, olhando e pensando se deveria desistir de visitar aquela exposição e voltar pra aula... É, resolvi ficar e ver a exposição! Mas resolvi também que não pegaria aquela fila por nada! Deus me livre!

Rezar não adiantou muito, então mudei de estratégia e resolvi contornar todo o prédio. É um prédio grande e antigo, eu sabia que certamente haveriam outras entradas. Dito e feito! Passando por uma de suas laterais encontrei uma outra porta, pequena e discreta, longe de lembrar aquela principal, onde pessoas se amontoavam.

A porta lateral levava a uma exposição paralela e de menor repercussão e por isso, sem filas. Não pensei duas vezes... Entrei ali mesmo! Desci alguns degraus e segui observando as obras colocadas naquela sala alternativa. Enquanto olhava procurei por alguma passagem que levasse ao andar superior e me poupasse da enorme fila da “moda da vez”.

Não foi difícil, logo encontrei. Olhei discretamente para o balcão da entrada onde ficavam a recepcionista e o segurança, que pareciam mais preocupados em flertar um com o outro. Aproveitei que estavam ocupados, então passei rapidamente pela passagem que ficava entre as obras (com entrada proibida a visitantes, como eu) e subi pela escada no fim de um estreito corredor.

Subi uns dois ou três lances de escada até chegar numa sala vazia, com uns tapumes de obra. Segui pelo único lugar possível, indo até uma porta entreaberta e quando passei por ela uma surpresa: Operários!

Vários operários faziam algum tipo de restauração naquela ala do museu e colocavam minha “missão secreta” em risco. Pensei rápido e dissimulei uma “fiscalização”, olhando tudo de cima a baixo a cada segmento do andaime, verificando a nova pintura e de vez em quando encarando um ou outro nos olhos para que não desconfiassem.

Na verdade não acredito que aquilo tenha funcionado, mas sei que também não deram a mínima e finalmente cheguei à sala da “exposição da moda” junto com o primeiro grupo de visitantes.

De resto foi só curtir as belas esculturas!



 

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